sexta-feira, 22 de maio de 2009

REFLEXÕES SOBRE A PAZ

A respeito da paz, é interessante observar a opinião de Joanna de Angelis. Segundo ela, em seu livro Convites da Vida, temos quase que um roteiro seguro de como obtê-la:


"E e tão fácil a conquista da paz! Basta que não ambiciones em demasia, que corrijas os ângulos da observação da vida, que ames e perdoes, que te entregues às mãos de Deus que cuida das "aves do céu" e dos "lírios do campo" e que, por fim, cumpras fielmente com os teus deveres."


De fato, em termos absolutos, o caminho da paz é fácil, porque segue uma receita simples. A paz, na verdade, é uma consequência de outros processos. Um efeito, e não uma causa.


Mas como corrigir as causas que levam a este efeito?


Seguindo o roteiro de Joanna:


1) Não ambicionar em demasia - os grandes problemas econômicos do mundo derivam de um descontrole das questões financeiras. Descontrole causado por uma ambição desmedida, gerando especulação e desejo de sempre mais. Em grande escala, levando à guerra entre nações. Mas em nosso foro íntimo, deixamos de ter paz quando a vontade de progredir, que é sempre sadia, perde seu sentido e acabamos dando uma importância maior ao ter. Ignoramos as regras básicas e gastamos mais do que temos para demonstrar uma situação social que de fato não nos pertence. O individamento é resultado certo. E não conseguimos mais paz em nossa casa. E esquecemos que a origem de tudo foi nós mesmos. Basta apenas ser comedido em nossas ações, analisando nossas receitas e despesas, e buscar o equilíbrio adequado. Com isto, a harmonia instala-se e não nos desesperamos frente às dificuldades.


2) Corrigir os ângulos de observação da vida - Jesus já nos alertava de que não devemos julgar, para que não sejamos julgados. Quando julgamos, fazemos isto pelo nosso padrão, que não é necessáriamente o mais correto. Mas não percebemos isso, e achamos que todos os outros estão errados. Mas um fato é sempre esquecido: nós somos os outros dos outros. E com certeza os outros também agirão da mesma forma conosco. A solução é respeitar o próximo, não julgar, mas tentar compreender, respeitar as opiniões, conversar e não discutir. Hoje fala-se muito em "discutir o relacionamento". Infelizmente, as questões sempre se tornam de fato uma discussão. O ideal seria "conversar sobre o relacionamento", colocando-se amos fora da situação, de modo que as emoções não não traiam. Fazer de conta que o problema é de outra pessoa. Desta forma, nos elevamos no conceito que as pessoas tem de nós, e não daremos vazão às contendas que sempre acabam com a expectativa de paz em qualquer ambiente, seja na família, no trabalho ou na sociedade em geral.


3) Amar e perdoar - praticamente desnecessário comentar o que é tão óbvio. Mas apesar de parecer assim, não é tão simples como parece. Amar significa nos doar, abrir mão de coisas nossas, sejam elas afetivas ou materiais, e entregar ao outro, objetivo de nosso sentimento. Mas como nossos relacionamentos ainda não estão no nível de superioridade moral, do nível que nos propos Jesus, acabamos criando uma certa expectativa de retribuição. Quando isto não acontece, a mágoa se instala, e a paz começa a definhar. Em níveis extremos, a mágoa torna-se raiva (ver nosso artigo anterior) e leva muitas a ações irrefletidas, causando muita dor e violência. Viver em sociedade não é tarefa fácil. Abrir mão de nossos conceitos não é tarefa para a qual estamos preparados gera um esforço muito grande. Precisamos primeiramente deixar o egoísmo e orgulho de lado, e aceitar que, afinal, estamos todos no mesmo barco. Porque esta busca incessante de algo apenas para nós, quando o próximo está ansiando pelos mesmos objetivos. O ideal seria olharem para o mesmo lado, mas amar significa voltar um pouco e acolher aquele que se atrasa. Apenas este ítem já merece um estudo à parte, que faremos em ocasião oportuna. Por enquanto, vamos nos exercitando na tarefa de amar, de coração, sem questionar exageradamente.


4) Entregue-se às mãos de Deus - A fé verdadeira nos impulsiona sempre para o alto, por acreditarmos nesta força superior que nos resguarda. Mas a fé deve ser racional, e não cega. Devemos fazer a nossa parte. Como disse Jesus, "ajuda-te que o Céu te ajudará!". Por maiores que sejam as dificuldades, a fé nos mantém tranquilos, por termos em nós esta perspectiva do mundo espiritual , que é a vida verdadeira. Quando percebermos finalmente de que tudo que aqui está é passageiro, e não nos pertence efetivamente, a paz finalmente começará a brotar de nosso ser. O efeito começa a surgir.

Quando iniciamos com brevidade este processo, poderemos evitar que tragédias ocorram em nosso mundo.

Por Fernando Luiz Petrosky

Eu só peço a Deus.

Mensagem de Gandhi, com Mercedes Sosa e Beth Carvalho

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