O que mais sofremos
O que mais sofremos no mundo:
Não é a dificuldade. É o desânimo em superá-la.
Não é a provação. É o desespero diante do sofrimento.
Não é a doença. É o pavor de recebê-la.
Não é o parente infeliz. É a mágoa de tê-lo na equipe familiar.
Não é o fracasso. É a teimosia de não reconhecer os próprios erros.
Não é a ingratidão. É a incapacidade de amar sem egoismo.
Não é a própria pequenez. É a revolta contra a superioridade dos outros.
Não é a injúria. É o orgulho ferido.
Não é a velhice do corpo. É a paixão pelas aparências.
Como é fácil perceber, na solução de qualquer problema, o pior problema é a carga de aflição que criamos, desenvolvemos e sustentamos contra nós.
Albino Teixeira
Todos têm problemas e dificuldades. Ninguém está livre deste ponto. No entanto, é responsabilidade de cada um a forma como tratar os mesmos. Lembrando novamente Joanna de Angelis, “Tornar mais aprazíveis os dias vividos no corpo, eliminar os fatores de perturbação, que tornam a existência insuportável, às vezes, fundamentar o conhecimento por meio de experiências são opções ao alcance de toda pessoa lúcida, que pode conseguir o desejado através do esforço empregado para tanto”.
Precisamos de maturidade para tratar dos nossos problemas, entendendo que auto-compaixão e o adiamento da solução são atitudes infantis, além de representar um desperdício enorme de tempo.
O método cartesiano, descrito por Descartes, propõe uma forma bastante lógica para a solução de qualquer problema. O racionalismo cartesiano sugere que a questão seja dividida em pedaços menores, que poderão ser resolvidos de maneira mais fácil. Assim, ao concluir o último pedaço, o problema está solucionado. Parece simples, e na verdade é mesmo. Basta que nos disponhamos a realmente enfrentar corajosamente os problemas e nos dispormos a resolver. Joanna de Angelis, em Vida Feliz, sugere o mesmo, com outros termos, quando nos ensina a executar sempre a tarefa mais urgente.
A mudança de hábitos é fundamental. Afinal, como poderemos querer resultados diferentes, se fazemos sempre tudo igual? É necessário “pensar bem, plantando sementes novas de otimismo e de esperança, valorizando tudo o que se encontra à nossa volta”.
Vale sempre lembrar que “o passado é irrecuperável, no entanto, é reparável”.Ou seja, não vale a pena se prender ao sentimento de culpa pelos nossos erros, que hoje são representados pelos problemas. A bondade divina nos oferece a reencarnação como instrumento de correção, para que nós nos melhoremos, e não para nos fazer sofrer. Os problemas existem para que haja a verdadeira transformação do ser e da sociedade, deixando para trás os traços do atraso e descortinar um futuro de felicidade e alegrias.
Não nos esqueçamos que Jesus, através do seu Evangelho, nos dá o roteiro ideal para uma existência plena de êxitos. E que todo sofrimento está baseado no fato de que constantemente preferimos nos desviar deste caminho.
O Homem Novo está prestes a surgir dentro de cada um de nós. Basta apenas um pouco de nossa vontade para romper a bolha de dificuldades que construímos para nós mesmos, como a borboleta (no seu estágio de lagarta) que faz, ainda que inconsciente, o casulo onde se esconde por algum tempo, para burilamento íntimo, até chegar o momento de romper a casca e alçar vôo.
Por Fernando Luiz Petrosky