A velhinha que vimos, vergada ao peso do sofrimento, não é aquela benfeitora que nos ofertou o berço na Terra, no entanto, podia ser.
O trabalhador abatido que passou esmagado de angustia, não é aquele amigo respeitável que nos serviu de pai no mundo, mas, em verdade, podia ser.
A criança desditosa, que renteou conosco na via pública, não é nosso filhinho, contudo, podia ser.
O mendigo cansado de abandono, relegado à incerteza da rua, não é pessoa de nossa casa, entretanto, podia ser.
O doente caído em desamparo e cujo martírio orgânico nos inclina a pensar nas desventura dos que vagam sem teto, não é nosso parente consaguíneo, todavia, podia ser.
Diante dos que choram e sofrem coloquemo-nos, de imediato, em lugar deles, e saberemos compreender que toda migalha de bondade e alegria é talento de luz.
Caridade é bênção de Deus em movimento constante.
Hoje é a nossa hora de dar, amanhã será o nosso dia de receber.
André Luiz
Do livro: Marcas do Caminho
Um comentário:
Embora não veja muitos comentários aos espaço, creio ser uma oportunidade de releitura e saudável reflexão e me permitirei abordar uma aspecto que me parece pertinente.
Esse texto do André Luiz é bastante interessante, aliás como muitas coisas que esse autor espiritual escreve, mesmo que em muitas vezes possa parecer mais realista e menos suave diante de outros autores.
Veja, quando ele assentua que determinada pessoa que sofre e que é "distante" de nosso convivívio ou predileção poderia sê-lo, fora a questão da dinâmica reencarnatória, observa-se o quanto algumas ou muitas pessoas tem de apego ao eu, ou seja, se é meu filho ou parente, merece maior respeito que ao irmão desconhecido ou menos próximo que sofre.
É evidente que o convívio e o laço nos dá maior conhecimento sobre o ente e trocas de sentimentos e aprendizados, entretanto quando aborda-se tanto o materialismo esquece-se de abordar o apego além de tudo, que vaí além do âmbito material e se posiciona no "egoísmo" que por muitas vezes já dito é derivador de muitas problemáticas de injustiças como o próprio sectarismo e o manequeísmo, portanto a abordagem de André Luiz toca no cerne da alienação institiva humana, alertando para o desajuste perturbador de muitas consequências de sofrimentos que atinge a muitos.
Abraço.
Adriano Barboza
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