
Foto: Google Imagens
Dormem os olhos, dormem os ouvidos, dorme o olfato, dorme o paladar, dormem os sentidos todos.
Dormem os músculos, dormem o cérebro e, com ele, a razão. Dormem os lábios, dorme a língua e, com ela, a palavra, o canto, a exclamação.
Dorme a dor e dorme o prazer, dormem as lágrimas e dorme o riso também. Dorme a esperança e repousa a fé: só o coração não dorme, só ele vela dia e noite, pulsando sempre, sustentando com suas batidas isócronas o titmo eterno da vida!
Tudo dorme, só o coração vigia e palpita incessantemente, porque é a sede do amor, e sem amor não há vida.
Tudo dorme, para todos há dia e noite, há sono e vigília: só ao coração não é dado repousar! Para ele só existe o dia, o Sol sem ocaso, no zênite perpétuo, sempre vivo, brilhante e quente!
Tudo dorme: só não dorme o coração, porque sendo o órgão do amor é, por isso mesmo, o pêndulo da vida, oscilando no relógio da eternidade.
Vinícius
Do livro: Em torno do Mestre
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