segunda-feira, 7 de março de 2011

CONVITES PARA O BEM




A vida na Terra, principalmente no calor dos últimos tempos, em que o progresso tecnológico atinge limites inimagináveis em épocas passada, nos delineia um cenário bastante interessante na pauta das posturas que se espera em um mundo de amor, para o qual nos candidatamos a permanecer.


O tempo, que deveria ser um elemento abundante, em vista do conforto material proporcionado por toda esta tecnologia, é escasso, e requer um controle bastante severo para que não o desperdicemos. O tempo é aquilo que poderia estar ao nosso lado, esperando um uso racional voltado ao bem e à conquista de valores que nos religuem ao nosso Pai Criador. Mas, infelizmente, não temos a necessária preocupação com este ponto tão importante. Como o temos incessantemente, não nos vem à mente a preocupação de fazer um uso racional dele. E, de fato, temos toda a eternidade para viver. Porque então esta preocupação?

Embora tenhamos a eternidade à nossa disposição, ela chega de maneira diferente. O modo como utilizamos este recurso é de fundamental importância para a determinação do nosso modo de viver. Nós devemos fazer uma pergunta à nossa consciência: Porque Deus nos deu este recurso? Sem dúvida alguma, a lógica nos diz que este ingrediente divino nos foi dado para a conquista do bem, para a elevação de sentimentos, para amparo a quem precisa, enfim, para uma evolução segura no caminho de retorno à Casa do Pai.

Por este motivo é que devemos cuidar para que o tempo, assim como as oportunidades que nos são lançadas tenha um aproveitamento sensato.

Amélia Rodrigues, no livro Primícias do Reino, através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, nos conta a história do Moço Rico, que no frescor de sua juventude, teve uma grande oportunidade de ser um servidor do Cristo. Preferiu porém a glória passageira da popularidade, atento à vaidade que se sobressaia de sua personalidade.

Mas, como estas oportunidades nos chegam? Para o Moço Rico, chegou através de um convite diretamente do Cristo, assim como Paulo de Tarso. Mas para nós, não chegam assim, de maneira tão explícita. Chegam muitas vezes como convite à prática do bem, do amor, da caridade, da tolerância ou da solidariedade. No entanto, na grande maioria das vezes, elas chegam disfarçadas de problemas, de dificuldades ou de empecilhos. Para as mentes não treinadas ou preparadas, estas oportunidades ganham um direcionamento diverso do que espera o Mundo Maior. Tornam-se momentos de grandes crises e provações, e temos a tendência a nos revoltarmos com a vida, colocando-nos em situação egoísta de achar que somos os únicos seres do mundo a sofrer. Buscamos soluções apressadas, sem avaliar as conseqüências que isso pode ter na vida de outras pessoas. Entregamos-nos a uma infinidade de lamentações, choros e reclamações completamente sem sentido. São ainda os espinheiros sufocando nossa semente frágil.

Por este motivo, Paulo de Tarso nos adverte da necessidade de fazer o bem, quando nossa situação permitir (Gálatas, 6:10). E Emmanuel vai mais além, afirmando que mesmo em momentos de crise, sempre disporemos do sorriso, da gentileza, da oração. (Emmanuel, Palavras de Vida Eterna)

Ainda mais, ao trabalharmos na felicidade do próximo, exercendo a caridade despreocupada, contamos sempre com o amparo da Espiritualidade, que atendendo aos desígnios de Deus, não nos deixa sozinhos, como afirmou o Espírito de Verdade a Kardec: “Não te ajudar seria não te amar.”

Mas, para quem busca ideais superiores, todos os instantes são oportunidades.
A reencarnação nada mais é do que uma grande chance que Deus nos dá de redimirmos as questões mal-feitas do passado. Quando estamos inseridos em um grupo familiar difícil, que aparentemente não atende ao nosso ideal de felicidade, é um momento “único” que Deus nos possibilita. Neste contexto, percebemos que o companheiro complicado que nos testa a todo instante, é o mesmo companheiro que desviamos do trajeto e que hoje nos cobra o tempo perdido. E Deus nos dá esta oportunidade, colocando-nos numa mesma família, ou num mesmo grupo, para que possamos aprender a amar. E o amor, meta sublime, é o nosso grande ideal.

Daí, nós podemos perceber o quão grave é quando deixamos que estas chances escorram pelos nossos dedos. Naturalmente, isto nos dá uma sensação de vazio, porque não preenchemos o nosso ser com os verdadeiros conteúdos morais que poderão nos auxiliar no futuro com os recursos que nos são possibilitados. Ao recusarmos a tarefa, ou agirmos com displicência ante a necessidade de vigilância e ação, o custo das oportunidades perdidas poderá ser bastante alto, e que pode sobrecarregar o nosso espírito com encargos maiores do que o necessário.

Chances que não retornam, efetivamente, ocorrem a todo instante. Mas, como sempre, devemos ter um olhar atento para este ponto. Naturalmente, não é uma afirmação absoluta, mas que precisa, e deve, ser analisada em termos relativos. O Moço Rico, ao negar o convite do Cristo naquele momento, perdeu uma grande chance de evoluir mais rapidamente na senda do bem. Mas a morte, alcançando-o em uma manobra infeliz, veio ceifar-lhe o corpo físico. Aparentemente, não teria mais chance alguma, porque não aceitou Jesus. Mas, Deus nos deu vida eterna. E Jesus, visitando-o na além da fronteira da morte, vem renovar o convite sublime: “Vem e segue-me!” Já liberto então do fardo material, seguiu pelas portas da dor na direção do infinito Amor.

Isto nos recorda os companheiros que aguardam o momento certo, ou as condições ideais para trabalhar no bem. Aguardam a chegada de recursos materiais (que nunca chegam...) ou a aposentaria (que também pode não chegar...).

A parábola do Moço Rico, então, repete-se incessantemente com todos nós. Precisamos abrir nossos olhos para observar as oportunidades, os convites de Jesus, repetindo em nossos ouvidos: “Vem e segue-me!” E seguir o Cristo é muito mais que aceita-lo. É seguir-lhe o exemplo. É viver o seu ideal. É colocar em ação o seu Evangelho.

Será que ainda somos a semente que está presa nos espinheiros, ou seja, os que compreendem a verdade, mas não tem força para vencer os “cuidados deste século”, que se refletem também nas inovações tecnológicas e no conforto por elas proporcionado.

Quando aceitamos os convites para o bem que a vida nos proporciona, estamos retribuindo à vida os benefícios que nós mesmos usufruímos (Joanna de Angelis, Rumos Libertadores).

O Evangelho Segundo o Espiritismo nos mostra como sermos o Homem de Bem, ou seja, aquele que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, sem esperar que a necessidade nos convoque a isto. Devemos sempre questionar a nossa consciência, para verificar se não violamos a lei, se não desperdiçamos alguma ocasião para ser útil.

Precisamos adquirir com urgência o hábito da caridade, espalhando o amor sobre nós. Precisamos aprender a ter satisfação nos benefícios que espalhamos, no consolo que proporcionamos, e não apenas nos gozos materiais. Precisamos aprender a sermos bons, humanos e benevolentes para com todos. Precisamos nos desligar do rancor, do ódio, da mágoa e dos desejos de vingança. Precisamos, enfim, imitar o Cristo em todas as nossas atitudes. Se nós queremos ser bons espíritas e bons cristãos, devemos eleger o bem como meta. Devemos recordar que o Evangelho nos dá chave para a vitória verdadeira. Devemos fazer a nossa reforma íntima, nos modificarmos continuamente na direção do Cristo, através do bem. Quando agirmos assim, estaremos efetivamente aceitando o convite de Jesus, que incansável repete aos nossos ouvidos: “Vem e segue-me.”


Por Fernando Luiz Petrosky