sábado, 25 de setembro de 2010

CHICO XAVIER E A QUESTÃO DOS CÓDIGOS

O ano de 2010 foi bastante marcante para a Doutrina Espírita. Entre tantos acontecimentos importantes, tivemos a comemoração do centenário de nascimento de Francisco Cândido Xavier, o nosso querido Chico Xavier, com o lançamento do filme contando sua vida de dedicação e trabalho em favor dos necessitados de todos os tipos que o procuravam. O filme teve o respeitável marco de ser assistido por 1.000.000 de pessoas apenas na primeira semana.
Chico, como sabemos, dedicou toda a sua vida à causa da Doutrina Espírita, tornando-se o intermediário de milhares e milhares de mensagens de consolo endereçados àqueles que “perderam” seus entes queridos pela porta inevitável da morte. Somente isso, por si só, já seria suficiente para confirmar sua grandeza espiritual. Porém, psicografando ainda mais de 400 livros espíritas, que até hoje servem como base de estudos e amparo moral para outra multidão insaciável de conhecimentos. Dentre estes, Nosso Lar, que foi sucesso também no cinema, com recorde de público.
No entanto, na tentativa talvez de ofuscar o brilhantismo destas comemorações, voltou à tona, principalmente na mídia leiga, a questão do suposto código que Chico teria deixado com seu filho adotivo, com seu médico e com uma amiga.
Analisemos com atenção, já que temos dois cenários possíveis, e que exigem o uso da fé raciocinada, que é, ou deveria ser, a marca dos verdadeiros espíritas.
No primeiro cenário, considerando que os tais códigos existem, podemos entender a preocupação de Chico em tomar este cuidado, pois sabia que muitos médiuns invigilantes poderiam trazer ao mundo supostas mensagens suas, e que estas poderiam, no seu bojo, alterar a pureza doutrinária do espiritismo, com a inclusão de ideias que, em síntese, não suportariam um exame atento, mas que poderiam ser aceitas pela força do seu nome. O cuidado, portanto, seria justificável. E dividindo o código entre três pessoas seria um reforço na segurança desta medida.
Porém, num segundo cenário, podemos lembrar a advertência de Emmanuel, que alertava Chico de que se ele, Emmanuel, um dia se afastasse de Kardec e de Jesus, que Chico o abandonasse, mas ficasse com Kardec e Jesus. E, até onde se sabe, nem Emmanuel nem Chico se afastaram deste propósito, permanecendo fiéis aos seus ideais.
E o que nosso Codificador disse a esse respeito?
No Livro dos Médiuns, cap. XXIV, item 262, Kardec já chama a nossa atenção para o aspecto mais importante de uma comunicação, que é o da superioridade moral e seu caráter instrutivo, pouco importando o nome que assina a mesma. Ensina-nos, inclusive, a diferenciar um bom de um mau espírito. Mais adiante, nas Dissertações Espíritas, nos mostra como diferenciar as mensagens sérias das apócrifas.
Jesus nos ensina ainda que uma árvore boa não pode produzir maus frutos.
Com certeza, Chico conhecia muito bem estas lições, e as seguia. Então não se justificarias a necessidade de códigos de segurança para garantir a autenticidade de suas futuras mensagens.
Não podemos nos deixar arrastar pelas ondas da leviandade e da invigilância. Devemos ser espíritas verdadeiros, atentos aos propósitos da Doutrina e do Cristianismo. Guardadas as devidas proporções, o que ocorre com Chico é o mesmo que se dá com o Cristo. Preocupam-se mais com as questões aparentes e esquecem do principal, que é a propagação do amor, da reforma íntima, da necessidade de evangelizar-se.
Os espíritas esclarecidos não devem alimentar este movimento que visa apenas distração da atenção, caindo na vala comum das vaidades humanas.
Nosso compromisso com a moral do Cristo, fundamentada pela Doutrina dos Espíritos, não pode ser abalada por informações pouco relevantes.
Jesus, nosso amável Mestre, já nos alertava, há quase 2000 anos, “Vigiai e Orai”.

Por Fernando Luiz Petrosky
Bibliografia:

O Livro dos Médiuns, Cap. 24

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito interessante o artigo. Como sempre, uma explicação lógica para a questão. O que, como foi dito, é uma das bases da Doutrina Espírita. Parabéns!
William