terça-feira, 28 de setembro de 2010

SINTONIA ESPIRITUAL

Vamos imaginar uma antena transmissora de televisão. Todas as emissoras disponibilizam seus sinais, que ficam soltos no espaço. Cada emissora trabalha com uma frequência própria. Em nossas casas temos também antenas, que captam os sinais dispersos no espaço e que são processados em um receptor, que chamamos televisão, que transforma estes sinais em sons e imagens.
A qualidade do sinal que recebemos depende muito da qualidade da nossa antena e do nosso televisor. Por outro lado, cada emissora tem também seu padrão de qualidade. Alguns canais transmitem programas que exploram a violência e as tragédias; outros abusam da sensualidade. Mas também existem muitos que trazem programas que elevam nossa mente, nos trazem boas informações, e engrandecem o nosso espírito. As opções estão abertas para todos. Depende unicamente de nós a decisão do que vamos assistir.
E sabendo disto, de nada adianta reclamarmos do baixo nível dos programas exibidos, pois ninguém nos obriga a isto. Se estivermos sintonizados em um canal de qualidade inferior, significa que estamos vibrando naquela mesma faixa. Mas, para mudar de canal, e melhorar a qualidade dos programas, basta que assumamos o controle do controle remoto e mudemos de canal. Ou seja, ajustamos a sintonia. E se nenhum canal está bom, nos resta sempre a opção de desligar a televisão e ler um livro, ou ouvir uma música.
Com o nosso espírito ocorre a mesma coisa. O cérebro funciona como um aparelho receptor e transmissor de ondas mentais. O pensamento funciona como meio, ou como controle remoto, pois é um fluxo energético do campo espiritual. O pensamento é que faz a sintonia espiritual.
E o que é sintonia espiritual?
Sintonia espiritual é a identidade ou harmonia vibratória. Em um termo mais funcional, é a troca de vibrações e pensamentos com outros espíritos, desencarnados ou não.
O ser humano habita um oceano de energias, pensamentos e formas das mais diversas.

Toda energia captada, consciente ou inconscientemente, é processada pelo cérebro, que a transforma em sons e imagens que poderão ser mostrados na hora, em tempo real, ou podem ficar arquivados em nossa memória para utilização futura. Este é um fato natural, que ocorre de maneira automática, sem percebermos.
Como o ser humano é um ser social por excelência, estamos permanentemente em contato com outros espíritos como nós, encarnados ou desencarnados, em contínuo intercâmbio. O processamento das energias captadas ocorre sempre de acordo com as matrizes espirituais que temos em nosso espírito. A qualidade das matrizes definem a qualidade da nossa sintonia.
Quando estamos desequilibrados, nosso espírito constrói uma barreira em torno de si, que repele as boas energias que o transformariam. Sem o recurso destas energias, o que consegue apenas são as energias negativas. Somente podemos receber aquilo que transmitimos. Não é possível tirar uma coisa qualquer, de algum lugar, se ela não existe. Lembrando novamente da antena: não ficamos desequilibrados porque vemos porcaria na televisão, mas nós vemos porcaria porque estamos desequilibrados.
As energias ruins já estão em nós, e simplesmente atraímos aqueles que têm afinidade com estas energias.
Por outro lado, quando estamos equilibrados, vigilantes, formamos uma barreira magnética que nos protege do assédio das energias ruins. Apenas as energias boas passam pela barreira, e nos sentimos sempre bem. Da mesma forma, também atraímos aqueles que têm afinidade com este tipo de vibração.
E foi por este motivo que Jesus nos recomendou: “Orai e Vigiai”, porque sabia Ele que a oração e a vigilância nos faz mais fortes, e nos protege de todo sentimento perturbador que nos é dirigido.
São vários os fatores que desajustam a nossa sintonia espiritual, e nos impede de vivenciar bons momentos. Aqui serão analisados apenas alguns:
> amor: quando confundimos atração, desejo e posse com amor, tornamos o relacionamento entre nós e o outro, principalmente aqueles entre homens e mulheres, muito difícil, porque abrimos espaço para o ciúme, a discórdia, o desencontro de objetivos, e deixamos de ver a pessoa que está conosco como parceiro, e passamos a ver apenas um objeto que nos pertence, e que deve fazer sempre o que queremos;
> angústia: quando estamos sempre aflitos, preocupados, desanimados por não conseguirmos resolver nossos problemas da maneira como queremos, este sentimento nos domina, trazendo junto o desalento, a revolta e outras sensações pesadas impedindo-nos de continuar o trabalho que nos cura, e nos levando à depressão;
> rancor/ódio: quando as desigualdades com nossos semelhantes não se resolvem com diálogo, com respeito, de maneira harmônica, as mágoas começam a crescer em nosso coração, e chega a um ponto em que se transforma em rancor e ódio, que caminha para a vingança e obsessão;
> inveja: quando nos deixamos levar pela inveja, passamos a viver sempre em função do outro, sem vivermos a nossa própria vida. A excessiva preocupação em ter, e ter sempre mais do que o outro, nos tira da realidade, e construímos castelos de areia, e acalentamos sonhos sem fundamentação concreta. Isto acaba se tornando um círculo vicioso em nossa mente que nos desajusta e impede de seguirmos nossa vida adiante;
> Etc.

Existem também fatores que nos mantém em harmonia, e nos faz crescer espiritualmente. Abaixo estão analisados alguns deles:
> Amor: “Amar a Deus acima de todas as coisas, e o próximo como a si mesmo”, nos dizia Jesus. O Amor fraternal, Universal cura todas as mazelas de nossa alma. Afinal, como dia Paulo de Tarso, sem Amor nós nada seríamos;
> Perdão: é o Amor posto em prática. Esquecendo as ofensas que nos são ditas, e retribuindo com o Amor, barramos o círculo vicioso do ódio, e plantamos a semente da paz. Perdão ao próximo e também a nós mesmos é um dos caminhos mais rápidos para a felicidade e a harmonia;
> Otimismo: tudo na vida segue o modelo binário. Luz e sombra, doenças e saúde, paz e guerra. Quando aprendermos a ver sempre o lado bom das coisas, nos contagiamos com a sensação de satisfação, que impede que o lado pessimista domine nossa mente;
> Caridade: é a expressão maior do Amor, do desprendimento, da felicidade em doar e se doar a quem precisa;
> Etc.

Resumindo, verificamos que o mecanismo da sintonia espiritual ocorre continuamente. Apesar de termos analisado cada situação separadamente, na verdade elas ocorrem simultaneamente, do momento em que acordamos até o momento de irmos dormir. Esta interação contínua explica porque estamos sempre estressados e sujeito às alterações de humor. A nossa balança espiritual está sempre oscilando.
O problema da sintonia espiritual é bastante amplo, e por este motivo é bastante analisado em grupos de estudo da mediunidade.
Mas a visão aqui proposta não se aprofundará nesta área, mas é fácil percebermos que tipo de afinidade mantemos com o plano espiritual. Se somente recebemos o que damos, então se cultivarmos bons hábitos e bons pensamentos atraímos espíritos que têm estes interesses. Mas, se preferimos nos entregar aos pensamentos infelizes, os espíritos que se aproximarão de nós também serão infelizes.
O importante é saber que a influência espiritual existe e é bastante real.
Na clássica pergunta 459 do LE, Kardec pergunta se os espíritos influem em nossos pensamentos e atos, ao que os Espíritos responderam que é muito mais do que imaginamos, a tal ponto que, de ordinário, são eles que nos dirigem.
Então, cabe a nós decidirmos: Que tipo de companhia queremos?
Como fazer a mudança de vibração e ajustarmos a nossa sintonia? Existem muitas técnicas, e aqui veremos apenas algumas delas:

> auto-conhecimento: saber o que está errado em nós e o que fazer para melhorar, explorar o que temos de bom e deletar aquilo que não ajuda a nos melhorarmos são as principais vantagens do auto-conhecimento;
> meditação: para facilitar o auto-conhecimento e relaxar;
> desenvolver o otimismo: não perder tempo com os erros. Superar as dificuldades e seguir em frente;
> boas leituras: para ajudar na manutenção do bons pensamentos;
> oração: sempre pedir a Deus a força para superar as dificuldades, sem esquecer de fazer sempre a nossa parte.
Por Fernando Luiz Petrosky

Bibliografia:

Pensamentos, sintonia e energia, Carlos Augusto Parchen, Portal do Espírito
Sintonia, Aluney Elfer Albuquerque Silva, Portal do Espírito
Você é otimista ou pessimista? Eny Elisa Souto, Revista Natural on Line
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec
O Ser Consciente, Joanna de Angelis, Divaldo Pereira Franco
Estudando a Mediunidade, Martins Peralva
Estude e Viva, Emmanuel e André Luiz, Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

sábado, 25 de setembro de 2010

CHICO XAVIER E A QUESTÃO DOS CÓDIGOS

O ano de 2010 foi bastante marcante para a Doutrina Espírita. Entre tantos acontecimentos importantes, tivemos a comemoração do centenário de nascimento de Francisco Cândido Xavier, o nosso querido Chico Xavier, com o lançamento do filme contando sua vida de dedicação e trabalho em favor dos necessitados de todos os tipos que o procuravam. O filme teve o respeitável marco de ser assistido por 1.000.000 de pessoas apenas na primeira semana.
Chico, como sabemos, dedicou toda a sua vida à causa da Doutrina Espírita, tornando-se o intermediário de milhares e milhares de mensagens de consolo endereçados àqueles que “perderam” seus entes queridos pela porta inevitável da morte. Somente isso, por si só, já seria suficiente para confirmar sua grandeza espiritual. Porém, psicografando ainda mais de 400 livros espíritas, que até hoje servem como base de estudos e amparo moral para outra multidão insaciável de conhecimentos. Dentre estes, Nosso Lar, que foi sucesso também no cinema, com recorde de público.
No entanto, na tentativa talvez de ofuscar o brilhantismo destas comemorações, voltou à tona, principalmente na mídia leiga, a questão do suposto código que Chico teria deixado com seu filho adotivo, com seu médico e com uma amiga.
Analisemos com atenção, já que temos dois cenários possíveis, e que exigem o uso da fé raciocinada, que é, ou deveria ser, a marca dos verdadeiros espíritas.
No primeiro cenário, considerando que os tais códigos existem, podemos entender a preocupação de Chico em tomar este cuidado, pois sabia que muitos médiuns invigilantes poderiam trazer ao mundo supostas mensagens suas, e que estas poderiam, no seu bojo, alterar a pureza doutrinária do espiritismo, com a inclusão de ideias que, em síntese, não suportariam um exame atento, mas que poderiam ser aceitas pela força do seu nome. O cuidado, portanto, seria justificável. E dividindo o código entre três pessoas seria um reforço na segurança desta medida.
Porém, num segundo cenário, podemos lembrar a advertência de Emmanuel, que alertava Chico de que se ele, Emmanuel, um dia se afastasse de Kardec e de Jesus, que Chico o abandonasse, mas ficasse com Kardec e Jesus. E, até onde se sabe, nem Emmanuel nem Chico se afastaram deste propósito, permanecendo fiéis aos seus ideais.
E o que nosso Codificador disse a esse respeito?
No Livro dos Médiuns, cap. XXIV, item 262, Kardec já chama a nossa atenção para o aspecto mais importante de uma comunicação, que é o da superioridade moral e seu caráter instrutivo, pouco importando o nome que assina a mesma. Ensina-nos, inclusive, a diferenciar um bom de um mau espírito. Mais adiante, nas Dissertações Espíritas, nos mostra como diferenciar as mensagens sérias das apócrifas.
Jesus nos ensina ainda que uma árvore boa não pode produzir maus frutos.
Com certeza, Chico conhecia muito bem estas lições, e as seguia. Então não se justificarias a necessidade de códigos de segurança para garantir a autenticidade de suas futuras mensagens.
Não podemos nos deixar arrastar pelas ondas da leviandade e da invigilância. Devemos ser espíritas verdadeiros, atentos aos propósitos da Doutrina e do Cristianismo. Guardadas as devidas proporções, o que ocorre com Chico é o mesmo que se dá com o Cristo. Preocupam-se mais com as questões aparentes e esquecem do principal, que é a propagação do amor, da reforma íntima, da necessidade de evangelizar-se.
Os espíritas esclarecidos não devem alimentar este movimento que visa apenas distração da atenção, caindo na vala comum das vaidades humanas.
Nosso compromisso com a moral do Cristo, fundamentada pela Doutrina dos Espíritos, não pode ser abalada por informações pouco relevantes.
Jesus, nosso amável Mestre, já nos alertava, há quase 2000 anos, “Vigiai e Orai”.

Por Fernando Luiz Petrosky
Bibliografia:

O Livro dos Médiuns, Cap. 24

domingo, 12 de setembro de 2010

REFLEXÃO DO DIA

O Espiritualismo moderno dirige-se principalmente às almas desenvolvidas, aos espíritos livres e emancipados, que querem a si mesmos achar a solução dos grandes problemas e a fórmula do seu Credo. Oferece-lhes uma concepção, uma interpretação das verdades e das leis universais baseada na experiência, na razão e no ensino dos Espíritos. Acrescentai a isso a revelação dos deveres e das responsabilidades, única condição que dá base sólida ao nosso instinto de justiça; depois, com a força moral, as satisfações do coração, a alegria de tornar a encontrar, pelo menos com o pensamento, algumas vezes até com a forma, os seres amados que julgávamos perdidos. à prova da sua sobrevivência junta-se a certeza de irmos ter com eles reviver vidas inumeráveis, vidas de ascensão, de felicidade ou de progresso.

León Denis
Do livro: O problema do ser, do destino e da dor.